O par EUR/USD subiu quase 300 pips entre quarta e quinta-feira. Estamos assistindo a uma repetição do que ocorreu no início de março, quando o dólar americano caiu 400 pips em apenas três dias — embora a queda atual esteja ainda mais intensa. No entanto, a magnitude exata do movimento não é o mais relevante. O que importa é que o mercado, mais uma vez, reagiu de forma clara à postura de Donald Trump em relação às tarifas. E essa reação foi inequívoca: ninguém quer o dólar, o mercado acionário dos EUA está em queda e até mesmo o Bitcoin recua.
O mercado já esperava que Trump implementasse tarifas amplas, entre 10% e 15%. Mas, na prática, ele não apenas impôs uma tarifa de 10% sobre as importações de todos os países do mundo, como também elaborou uma lista de nações que, segundo ele, tratam os EUA de forma "mais injusta" — aplicando tarifas específicas a esses países. Vale destacar que, enquanto a maioria enfrentará tarifas de 10%, algumas podem ser taxadas em até 100%. Analistas estimam que a tarifa média entre todos os países afetados esteja em torno de 29%. Só a China já foi alvo de três pacotes distintos de sanções.
No fim das contas, nenhum outro detalhe importa. Trump declarou que todos os países "sancionados" só precisam eliminar impostos e tarifas sobre produtos americanos e ligar para a Casa Branca. Sob essa ótica, ele até parece agir com razoabilidade — cobrando tarifas de quem taxava os EUA. Mas, para os traders, a questão não é de justiça. E para nós, também não. O mundo simplesmente deixou de se importar.
A União Europeia já prepara medidas de retaliação. China, Coreia do Sul e Japão consideram formar uma aliança comercial. Como já dissemos, os grandes players do cenário geopolítico irão reagir, enquanto os mais frágeis tentarão negociar com o combativo Trump. Esse novo sistema comercial trará prejuízos para todos os participantes do mercado global, de uma forma ou de outra. Mas isso não parece preocupar Trump. Seu objetivo é reabastecer os cofres públicos e trazer de volta fábricas e produção industrial para os EUA. Sua lógica é simples: se você não quer pagar tarifas, produza em solo americano. Isso criaria empregos e impulsionaria a economia.
m outras palavras, os EUA estão prontos para uma contração econômica — algo que ocorrerá de qualquer forma, já que relocalizar a produção exige tempo. Mas será que essa relocalização realmente acontecerá? E será na escala que Trump espera? Outro ponto relevante: um número crescente de pessoas ao redor do mundo demonstra disposição para boicotar produtos americanos. Antes, esse tipo de sentimento era mais comum no Canadá, na UE e em alguns poucos países. Agora, uma campanha global nas redes sociais com a hashtag "#BoycottAmerican" ganha força e adesão expressiva.

A partir de 4 de abril, a volatilidade média do par EUR/USD nos últimos cinco dias de negociação é de 137 pips, o que é considerado "alto". Esperamos que o par se mova entre os níveis de 1,0901 e 1,1175 na sexta-feira. O canal de regressão de longo prazo está apontando para cima, indicando uma tendência de alta de curto prazo. O indicador CCI entrou no território de sobrecompra ontem, sugerindo uma possível correção. Entretanto, a tendência geral permanece de alta.
Níveis de suporte mais próximos:
S1 – 1.0986
S2 – 1.0864
S3 – 1.0742
Níveis de resistência mais próximos:
R1 – 1.1108
R2 – 1.1230
R3 – 1.1353
Recomendações de negociação:
O par EUR/USD segue em trajetória de alta, consolidando uma tendência ascendente. Há vários meses, temos afirmado de forma consistente que esperamos apenas uma correção de médio prazo para o euro — e essa perspectiva permanece inalterada. O dólar ainda não apresenta fundamentos concretos para um enfraquecimento — exceto por Donald Trump. No entanto, esse único fator tem sido suficiente para empurrar a moeda americana em queda livre. Trata-se de um caso raro e sem precedentes no mercado cambial.
As posições vendidas continuam atraentes, com alvos em 1,0315 e 1,0254, mas, no momento, é extremamente difícil prever quando o rali impulsionado por Trump chegará ao fim. Para aqueles que operam com base exclusivamente em análise técnica, posições compradas podem ser consideradas caso o preço se mantenha acima da média móvel, com alvos em 1,1175 e 1,1230.
Explicação das ilustrações:
Os canais de regressão linear ajudam a determinar a tendência atual. Se ambos os canais estiverem alinhados, isso indica uma forte tendência.
A linha de média móvel (configurações: 20,0, suavizada) define a tendência de curto prazo e orienta a direção da negociação.
Os níveis de Murray funcionam como níveis-alvo para movimentos e correções.
Os níveis de volatilidade (linhas vermelhas) representam a faixa de preço provável para o par nas próximas 24 horas com base nas leituras de volatilidade atuais.
Indicador CCI: Se entrar na região de sobrevenda (abaixo de -250) ou na região de sobrecompra (acima de +250), ele sinaliza uma iminente reversão de tendência na direção oposta.